Seràƒ£o mantidos os investimentos em energia elétrica no Brasil

Nàƒ£o hàƒ¡ previsàƒ£o de retraàƒ§àƒ£o econàƒ´mica nem de queda acentuada do consumo de energia,afirmou Roberto Brandàƒ£o do Grupo de Estudos do zSetor Elétrico.

O Ministro de Minas e Energia, Edison Lobàƒ£o declarou a imprensa local que a crise financeira internacional nàƒ£o afetaràƒ¡ os investimentos em energia elétrica no Brasil porque os projetos garantem boa lucratividade e por isso continuaràƒ£o atraindo investimentos.

O economista Roberto Brandàƒ£o, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concorda. Para ele o impacto da crise sobre o setor elétrico brasileiro seràƒ¡ relativamente brando, sobretudo devido àƒ  natureza dos contratos de longo prazo e dos financiamentos feitos pelo sistema BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econàƒ´mico e Social.

No entanto, ressaltou que a crise externa pode levar algumas empresas do setor elétrico que estàƒ£o operando fora do sistema BNDES a experimentar dificuldades de rolagem de dàƒ­vida no mercado de capitais.

Brandàƒ£o acredita que deveràƒ¡ ocorrer uma desaceleraàƒ§àƒ£o do Produto Interno Bruto (PIB), que poderàƒ¡ ser acompanhada de uma desaceleraàƒ§àƒ£o do crescimento no consumo de energia. Mesmo assim argumenta que nàƒ£o hàƒ¡ previsàƒ£o de retraàƒ§àƒ£o econàƒ´mica nem de queda acentuada do consumo de energia.

Desde a década de 70 a geraàƒ§àƒ£o hidràƒ¡ulica tem sido um dos pilares do desenvolvimento econàƒ´mico brasileiro. As usinas hidrelétricas geram cerca de 100,000 MW e atualmente respondem por 76,1% da geraàƒ§àƒ£o elétrica nacional.

Com base em dados de 2006, a Agàƒªncia Internacional de Energia classificou o Brasil como o terceiro maior produtor de energia hidrelétrica, o que equivale a dizer que o Brasil produziu 11,2% do total mundial, atràƒ¡s apenas da China (14%) e do Canadàƒ¡ (11,3%).

Mesmo assim, Jerson Kelman, da Agàƒªncia Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estima que apenas 30% do potencial foi usado. A empresa de consultoria Excelàƒªncia Energética acredita que os rios brasileiros ainda poderiam oferecer entre 160,000 MW e 170,000 MW de capacidade de geraàƒ§àƒ£o.

O fato é que a presenàƒ§a das usinas hidrelétricas tem sido tàƒ­mida nos dois àƒºltimos leilàƒµes de energia nova do tipo A-5, que prevàƒª a entrega de energia em um prazo de cinco anos. No leilàƒ£o do ano passado e no de setembro desse ano, que somaram um total de 5.400 MW médios de energia negociados, apenas 850 MW médios eram relativos a hidrelétricas. Predominaram os projetos de termelétricas a gàƒ¡s natural liquefeito (GNL), àƒ³leo combustàƒ­vel e carvàƒ£o.

Em 2008 apenas duas hidrelétricas foram licitadas: Jirau, no Rio Madeira, Estado de Rondàƒ´nia (Regiàƒ£o Norte) e Baixo Iguaàƒ§u no Paranàƒ¡ (Regiàƒ£o Sul).

Segundo especialistas, a quantidade de projetos de geraàƒ§àƒ£o hidrelétrica a serem viabilizados no médio prazo diminuiu porque perto dos principais centros consumidores (regiàƒµes Sudeste, Sul e Nordeste) jàƒ¡ foram realizados os aproveitamentos maiores e restarem apenas os de médio e pequeno porte.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauràƒ­cio Tomalsquim admite que exista uma escassez de inventàƒ¡rios de aproveitamentos hidràƒ¡ulicos, mas estima que nos pràƒ³ximos tràƒªs anos poderàƒ£o ser viabilizados projetos que somam 27,000 MW.

O governo federal quer licitar pelo menos oito usinas hidrelétricas em 2009, incluindo Belo Monte, no Estado do Paràƒ¡, na regiàƒ£o norte do Paàƒ­s, Cambuci e Barra do Pomba, no Rio de Janeiro e outras cinco usinas no rio Parnaàƒ­ba, que faz a fronteira entre os estados de Maranhàƒ£o e Piauàƒ­ na regiàƒ£o nordeste. E, até 2010, Teles Pires e Tapajàƒ³s, também no Paràƒ¡.

Por outro lado, Nivalde José de Castro, coordenador do Gesel da UFRJ, argumenta que o Brasil nàƒ£o poderàƒ¡ prescindir da energia nuclear no futuro porque hàƒ¡ necessidade de diversificar a matriz de energia elétrica.

Estados Unidos e Europa estàƒ£o voltando a investir na àƒ¡rea nuclear porque ela nàƒ£o gera efeito estufa, previu Castro. Ele acredita que o problema ambiental gerado pelo armazenamento dos resàƒ­duos atàƒ´micos pode ser minimizado diante do benefàƒ­cio com o uso dessa fonte de energia e, com o reinàƒ­cio das obras de Angra 3, a questàƒ£o da destinaàƒ§àƒ£o dos resàƒ­duos certamente seràƒ¡ equacionada de forma satisfatàƒ³ria.

O governo planeja retomar em abril de 2009 as obras da usina nuclear Angra 3, projeto que estava paralisado hàƒ¡ 22 anos. A obra jàƒ¡ absorveu R$1,5 bilhàƒ£o (reais) e poderàƒ¡ custar outros R$7,2 bilhàƒµes segundo informaàƒ§àƒµes da Eletronuclear, o braàƒ§o do Grupo Eletrobràƒ¡s que administra o projeto. Se tudo correr como planejado, Angra 3 deveràƒ¡ iniciar operaàƒ§àƒµes em 2014, agregando 1.350 MW de capacidade instalada ao sistema elétrico nacional.

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Peter H. Wertheim
peterhw@frionline.com.br

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