Existe grandes divergências entre o governo brasileiro e representantes de organizações do meio ambiente quanto o volume de energias renováveis utilizados no País. O governo afirma que o Brasil utiliza grande quantidade de energias renováveis. Ambientalistas, nesse caso um importante defensor da utilização da energia solar discorda.

Quase metade da energia consumida no Brasil é gerada por fontes renováveis, como biocombustíveis e energia hidrelétrica. A informação consta do Balanço Energético Nacional (BEN), divulgada pela a Empresa Pesquisa Energética (EPE) do governo.

O balanço indica que a oferta interna de energia total do Brasil, em 2006, foi de 229,7 milhões de Toneladas Equivalentes de Petróleo (TEP). unidade que permite a medição comparativa das diversas fontes de energia) Deste total, 101,9 milhões de TEP – ou o equivalente a 44,4% – correspondem à oferta de energia renovável, o que faz do Brasil o maior consumidor de energia limpa do planeta, diz a EPE.

Ao justificar a manutenção do percentual de utilização das energias renováveis, entre 2005 e 2006, a EPE afirmou que ele é reflexo da compensação entre “o forte crescimento dos produtos da cana-de-açúcar e outras renováveis de um lado, e do crescimento do consumo de urânio e seus derivados, do petróleo e seus derivados e do gás natural – que apresentaram crescimento expressivo e expansão da participação na oferta interna”.

As vantagens da energia renovável como biomassa, pequenas hidroelétricas, eólica e energia solar, incluindo a fotovoltaica – oferecem inúmeras vantagens:

– Aumentam a diversidade da oferta de energia;
– Asseguram a sustentabilidade da geração de energia a longo prazo;
– Reduzem as emissões atmosféricas de poluentes;
– Criam novas oportunidades de empregos nas regiões rurais, oferecendo oportunidades para fabricação local de tecnologia de energia;
– Fortalecem a garantia de fornecimento porque, diferentemente do setor dependente de combustíveis fósseis, não requerem importação.

Além de solucionar grandes problemas ambientais, como o efeito estufa, as novas renováveis ajudam a combater a pobreza.

Brasil pouco utiliza energia solar

O Brasil é um dos países que tem um dos maiores potenciais de aproveitamento da energia solar do mundo, mas essa fonte natural e praticamente inesgotável ainda é pouco utilizada na economia brasileira. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira de Energias Renováveis e Meio Ambiente (Abeama), Ruberval Baldini, que pede maior participação do governo federal para criar incentivos ao uso desse tipo de energia.

“É preciso decisão governamental de apoiar mais a energia solar. O foco em energia solar nunca esteve presente neste governo nem nos anteriores. Nós temos uma insolação que é a segunda maior do mundo, mas no uso estamos bem abaixo de outros países, que têm menor recursos que a gente”, afirmou Baldini.

Para ele, o país precisa avançar no uso das energias renováveis. O ambientalista diz que a energia solar ficou esquecida. “Houve momentos em que se criaram vários projetos, mas programas como o Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas) não prevêem energia solar. Há programas dentro da Eletrobrás, como o Procel, mas ainda é incipiente. Porque não há uma conscientização de que a energia solar pode ser utilizada pelo cidadão comum.”

Baldini explica que o potencial maior, no momento, é o de utilizar a energia do sol para o aquecimento de água, que pode substituir os chuveiros elétricos nas residências e as caldeiras em hotéis e clubes. No caso das placas de energia solar fotovoltaica (que geram energia elétrica), ele reconhece que o investimento é maior e que a aplicação é localizada, com uso favorável em localidades isoladas, longe das linhas de transmissão de energia elétrica.

Porém, o ambientalista diz que a maior barreira para o uso dos painéis fotovoltaicos é o custo, apesar do país já dominar a tecnologia e ser um dos maiores produtores da matéria-prima básica dos equipamentos, o silício.

“A base do produto é o silício e o Brasil é o maior produtor de silício do mundo. Nós exportamos silício e importamos em forma de chip e equipamentos eletrônicos. Temos que comprar painéis solares lá fora, a partir do silício que fabricamos, o que torna tudo mais caro.” Segundo ele, as fábricas no Brasil são apenas de painéis solares térmicos e não há produção de painel fotovoltaicos.

Ruberval Baldini afirma que a única forma de popularizar os painéis solares é dividir o custo em muitas parcelas, o que seria equivalente ao valor que o consumidor paga pelo gasto de energia elétrica mensal: “Deveria haver uma campanha de concessão de crédito direto ao consumidor, que poderia pagar em 36 vezes”.

Click here to enlarge image

Peter Howard Wertheim
peterhw@frionline.com.br