Após inaugurar uma usina de biodiesel em Porto Nacional, no Tocantins, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, “nos próximos 20 anos, o Brasil será a maior potência energética do planeta Terra.” Segundo ele, o biodiesel é “uma revolução para o mundo, que vai acabar usando outro tipo de combustível (biodiesel em lugar de petróleo), que deixe de aquecer o planeta.

Lula acrescentou que ninguém tem “idéia do que está acontecendo no Brasil e no mundo” em termos de renovação energética. “Podemos plantar petróleo através da mamona, da soja e do dendê. O mundo vai ter que se curvar a isso”, disse. E comentou que, ali, no terreno da usina, ligou um trator “movido 100% a biodiesel que não fede, não solta fumaça preta com óleo diesel em volta e tem um combustível que tem cheiro de batata frita, e não tem fedentina.” Acrescentou que isso é possível “sem violentar o planeta e contribuindo para gerar emprego e aumentar a renda da população pobre.”

O presidente afirmou que o programa brasileiro de produção de biodiesel “foi pensado” para o Brasil e a África. “O mundo rico, se quiser ajudar os países mais pobres… ninguém precisa de esmola, o que precisamos é de investimentos em projetos, porque cada um desses projetos gera milhares de empregos. Presta atenção no que eu estou falando, porque não sei se estarei vivo nos próximos vinte anos. Nesses próximos vinte anos, o Brasil será a maior potência energética do planeta Terra.”

Lula anunciou que onde houver inauguração de uma usina de biodiesel, ele estará presente. E anunciou que as próximas usinas a ser inauguradas ficam em São Luís (MA) e Rosário do Sul (RS).

Ao se retirar da usina, Lula se encontrou com um aluno do ProUni, Danilo da Silva Néri, que lhe agradeceu pela bolsa de estudos que recebeu do governo. O presidente se mostrou emocionado, afirmou que o estudante certamente não teria tido nenhuma chance de estudar em uma universidade se não houvesse o ProUni e que “valeram a pena todas as brigas” que, segundo ele, teve que travar para implantar o programa. O Ministério das Relações Exteriores desmentiu que o Brasil esteja interessado em fazer uma oferta ao Paraguai para passar a controlar a empresa responsável pela hidroelétrica de Itaipu, administrada por ambos os países.

“Não há nada em estudo nesse sentido”, afirmou um porta-voz da Chancelaria, em relação a uma informação publicada pelo “Jornal de Brasília”.

Segundo a versão, o Brasil pretenderia oferecer ao Paraguai US$ 4 bilhões pelo controle total da empresa Itaipu Binacional, responsável pela unidade que gera cerca de 92 milhões de megawatts por hora.

Em Itaipu, que fica no Rio Paraná, é gerada quase 90% da eletricidade consumida no Paraguai e cerca de 20% da energia usada pelo Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará uma visita oficial ao Paraguai e na agenda que discutirá com seu colega, Nicanor Duarte, estão assuntos relacionados com Itaipu, mas nenhuma oferta de compra, afirmaram porta-vozes da Chancelaria.

Durante sua estadia no país vizinho, Lula irá à represa de Itaipu junto com Duarte, para participar de um ato oficial no qual serão postas em operação duas novas turbinas da hidroelétrica.

Além de assuntos relacionados com a distribuição das cotas da eletricidade gerada em Itaipu, Lula e Duarte conversarão sobre a construção de uma segunda ponte sobre o Rio Paraná, medidas conjuntas contra a febre aftosa e o regime alfandegário em vigor na região de Ciudad del Este e Foz do Iguaçu, fronteira entre os dois países.

o potencial hidroelétrico brasileiro constitui a nossa principal riqueza. As usinas de Jirau e Santo Antonio, em Rondônia, não foram programadas ao acaso. O regime hidrológico do Rio Madeira vem sendo medido há mais de 30 anos; o volume hídrico em cada um dos trechos é plenamente conhecido, bem como as máximas de cheias e mínimas de vazão; as localizações dos reservatórios foram escolhidas tecnicamente e os projetos detalhados com rigor.

Representam as hidroelétricas, obras de infra-estrutura, imprescindíveis para a preservação do bem maior, que é o interesse do País e de sua população, pois a alternativa para ausência ou escassez de energia elétrica é o apagão, com sua panóplia de conseqüências certamente daninhas. Nesses casos deve prevalecer a decisão de fazer a obra, emanada do mais alto órgão do Poder Executivo, ou seja, através de decreto presidencial, cabendo aos técnicos ambientais, a posteriori da referida decisão, proporcionar aconselhamento e assessoria para mitigar o impacto ambiental decorrente.

Peter Howard Wertheim
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