Energia que vem do mar vai abastecer Estado do Cearàƒ¡ no Brasil

Na maré do incentivo àƒ  energia alternativa, o Brasil comeàƒ§a a incluir o extenso litoral na matriz energética. A primeira usina de ondas da América do Sul sairàƒ¡ do papel em maràƒ§o, quando o governo do Cearàƒ¡ promoveràƒ¡ licitaàƒ§àƒ£o para as obras do empreendimento. A capacidade de geraàƒ§àƒ£o de 500 KW, suficiente para abastecer duas mil famàƒ­lias, é apenas uma gota do oceano: a costa brasileira é capaz de fornecer 15% de toda a eletricidade consumida no Paàƒ­s, de acordo com a Coordenaàƒ§àƒ£o dos Programas de Pàƒ³s-Graduaàƒ§àƒ£o em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ).

A Coppe elaborou o projeto pioneiro da usina de ondas e o governo do Cearàƒ¡ assumiu a construàƒ§àƒ£o, com investimento inicial de R$ 3,5 milhàƒµes. Para cada MW, a energia de ondas consome US$ 1,2 milhàƒ£o, menos que a eàƒ³lica (US$ 1,4 milhàƒ£o) e mais que a hidràƒ¡ulica (US$ 1 milhàƒ£o por MW). A Eletrobràƒ¡s financiou parte do projeto, com R$ 375 mil.

Projeto de 60 màƒ³dulos

Localizada no porto de Pecém, a 60 quilàƒ´metros de Fortaleza, a usina foi planejada para possuir 20 màƒ³dulos, dos quais dois seràƒ£o licitados no pràƒ³ximo màƒªs. A expectativa é ter em operaàƒ§àƒ£o um décimo da capacidade instalada da usina jàƒ¡ em dezembro, com 50 KW. Na medida em que a demanda cresce, investidores interessados podem aumentar a capacidade também, sendo esta flexibilidade uma das vantagens apontadas pela Coppe.

Além de ter elaborado o projeto piloto da usina, a Coppe mapeou o potencial da energia alternativa do Paàƒ­s. De acordo com o estudo, o Sul tem o maior potencial de gerar energia a partir do mar, com capacidade de geraàƒ§àƒ£o estimada em 35 gigawatts (GW). Em seguida, a regiàƒ£o Sudeste, com 30 GW. O litoral Norte e o Maranhàƒ£o tàƒªm mar para 27 GW. O potencial do Nordeste nàƒ£o foi mapeado por falta de informaàƒ§àƒµes suficientes. Sem contar com o Nordeste, a energia das ondas poderia sustentar todo o consumo nàƒ£o fossem os efeitos colaterais das usinas.

Obstàƒ¡culos àƒ  energia do mar

“Onde tem rota de navio e atrativos turàƒ­sticos nàƒ£o se pode instalar usina de ondas. Estima-se, que se a energia das ondas for aproveitada de maneira organizada (sem efeitos colaterais) poderia gerar cerca de 15 GW”, revela o coordenador da Coppe, Segen Estefen.

Além dos surfistas, da Coppe e do Estado do Cearàƒ¡, o governo federal jàƒ¡ namora as ondas. O diretor executivo da Empresa de Planejamento Energético (EPE), Mauràƒ­cio Tolmasquim, vislumbra o projeto como um forte candidato ao programa de energia alternativa do governo federal, o Proinfa. “Nosso papel é analisar tudo o que é novo. Veja no que o àƒ¡lcool, até pouco tempo incipiente, se tornou”, avalia o especialista. O Brasil é o maior produtor de àƒ¡lcool como combustàƒ­vel para veàƒ­culos no mundo e estàƒ¡ exportando o produto para diversos paàƒ­ses. Existe uma crescente consciàƒªncia do fato que o petràƒ³leo é um recurso nàƒ£o renovàƒ¡vel. Além de ser renovàƒ¡vel, o àƒ¡lcool feito a partir de cana de aàƒ§àƒºcar, nàƒ£o é poluente.

O fabricante escocàƒªs de geradores pràƒ³prios para a usina de ondas Ocean Power Delivery recentemente dobrou o nàƒºmero de funcionàƒ¡rios, de 25 para 50. Atento ao potencial, o gerente de Desenvolvimento de Negàƒ³cios da empresa, David Langston, esteve no Brasil para apresentar o projeto. Ele conta que estàƒ¡ preparado para produzir 10 geradores por ano, o suficiente para ver as ondas da Europa deslancharem no sistema elétrico do Brasil.

Na medida em que a demanda crescer, investidores interessados podem aumentar a capacidade também, sendo esta flexibilidade uma das vantagens apontadas pela Coppe.

Energia do mar na Europa

Na Europa, a energia vinda das ondas do mar comeàƒ§a a deslanchar. Ian Bryden, professor da universidade de Edimburgo, na Escàƒ³cia, destaca que o governo do Reino Unido comeàƒ§ou a financiar a geraàƒ§àƒ£o de energia por ondas na década de 70, durante o “choque do petràƒ³leo”, mas reduziu os recursos na década de 80.

Na medida em que a demanda crescer, investidores interessados podem aumentar a

capacidade também, sendo esta flexibilidade uma das vantagens apontadas pela Coppe.

A Agàƒªncia Internacional de Energia (AIE) aposta em fontes renovàƒ¡veis, apesar de reconhecer que tem custos econàƒ´micos elevados.

Energia produzida pelos oceanos, sol, fontes geotérmicas e substancias que podem ser tratadas para gerar combustàƒ­vel, como a celulose e a cana de aàƒ§àƒºcar, sàƒ£o as principais propostas da AIE.

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