O Brasil precisará de investimentos de R$ 767 bilhões no decênio 2008-2017 para assegurar a expansão da infraestrutura e do mercado consumidor de energia. Os dados foram divulgados recentemente, quando o governo apresentou o seu Plano Decenal de Energia.

Do valor total a ser investido, a maior parte – de R$ 536 bilhões – será aplicada no setor de petróleo e gás. O setor elétrico receberá aportes de R$ 181 bilhões, enquanto os recursos necessários para os biocombustíveis irão atingir R$ 50 bilhões.

Após os investimentos, a capacidade instalada de geração de energia do País passará dos atuais 102 mil MW para 153 mil MW, um incremento de 50%. Segundo o Ministro da Minas e Energia, Edison Lobão, chegar a esse número é um desafio. “Essa projeção remete a necessidade de instalarmos mais 51 mil MW adicionais ao parque gerador do Brasil, nos próximos dez anos, uma média de 5 mil MW por ano, o que representa um grande desafio”, afirmou Lobão.

De acordo com o ministro, para que o Brasil consiga gerar 50% a mais de energia em dez anos o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) será fundamental. O PAC é um ambicioso programa de investimentos do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Lobão, dos R$ 142 bilhões a mais que o PAC irá receber, metade será usado para financiar projetos voltados para o setor de energia. Ou seja, o setor iria receber R$ 250 bilhões e com o novo aporte de recursos receberá R$ 321 bilhões.

As chuvas que chegaram cedo, em outubro e novembro do ano passado e o arrefecimento da demanda por conta da crise econômica e também pelas temperaturas amenas no verão trouxeram conforto para o setor elétrico. Reservatórios encheram segundo o esperado e a energia gerada foi mais barata e limpa devido ao desligamento da maioria das termelétricas convencionais.

No dia 16 de fevereiro, de uma carga ofertada de 52.738 MW, o total de energia termelétrica convencional (exclui nuclear) ofertado era de apenas 1.263 MW, ou seja, 2,4%. No mesmo dia do ano passado o total era de 5.300 MW para uma carga de 50.638 MW, isto é, 10,5% do total. Na outra ponta, a energia hidrelétrica nacional (exclui Itaipu) ofertada nos mesmos dias era de, respectivamente, 40.396 MW e 34.904 MW.

Planejamento energético

O inusitado é que, como dezembro e janeiro foram atípicos, seja pelo lado do consumo industrial, com muitas fábricas paradas, seja pelo lado residencial, com aparelhos de ar-condicionado desligados, os técnicos do setor ficaram sem parâmetros para planejar a carga de energia a ser disponibilizada ao longo do resto do ano, informou o Ministério de Minas e Energia.

Em fevereiro as temperaturas subiram mas a vertente econômica continuou incerta. Para embaralhar ainda mais as contas, os técnicos estão percebendo que a correlação entre o Produto Interno Bruto (PIB) e a carga de energia elétrica tem sido cada vez mais tênue, em grande parte pelo uso de fontes alternativas pela indústria.

A diretoria da Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás) anunciou recentemente que irá investir cerca de R$ 7,8 bilhões em 2009, sendo R$ 6 bilhões na área de geração e o restante no âmbito da transmissão.

Os números fazem parte do Programa de Ações Estratégicas do Sistema Eletrobrás (PAE) para o período 2009-2012, que foi apresentado pelo presidente da empresa, José Antônio Muniz Lopes, para o conselho de administração da estatal.

De acordo com a assessoria de imprensa da Eletrobrás, o PAE é a base do primeiro plano de negócios do Sistema Eletrobrás, que foi submetido à aprovação do conselho em 13 de fevereiro.

Muniz Lopes, não quis se aprofundar nos detalhes, mas disse que o plano é muito importante para o Brasil. “Posso dizer apenas que é audacioso e traz obras estratégicas para o país”, disse o executivo.

O Ministro Lobão estava presente na reunião do conselho da empresa e disse acreditar na reestruturação pela qual a Eletrobrás vem passando. “O plano de transformação tem o objetivo de assegurar a presença da Eletrobrás na estruturação do setor de energia elétrica no país. É isso que vai garantir a segurança energética necessária ao desenvolvimento do país”, declarou o ministro.

A crise financeira não assusta o presidente da Eletrobrás. Para Muniz Lopes, a empresa e suas subsidiárias estão imunes à crise. “A crise não mudou os nossos planos: vamos continuar investindo na geração, transmissão e também na distribuição”, complementou. “Este será um ano de máximo desempenho para o Sistema Eletrobrás”, enfatizou. Há otimismo também na holding CPFL Energia, maior distribuidora em São

Paulo, e que atua em tres estados planeja manter sua plataforma de crescimento com o investimento, neste ano, de R$ 1.2 bilhões na expansão e manutenção da rede.

Peter Howard Wertheim
peterhw@frionline.com.br

IDB impulsa las energías renovables y predica con el ejemplo

El Banco Interamericano de Desarrollo (BID) anunció la creación de un concurso de innovación energética con premios de hasta 200.000 dólares para los proyectos seleccionados. La idea del concurso es propulsar las ideas que ayuden a los diferentes mercados latinoamericanos a mejorar su situación energética con proyectos que sean amigables con el medio ambiente. Especialmente, el concurso persigue incentivar los proyectos en zonas aisladas o rurales. Además del BID, participan GVEP Internacional, ONG con sede en Inglaterra; GTZ, empresa alemana de cooperación internacional para el desarrollo; y el Gobierno de Corea.

El concurso premiará a múltiples proyectos con una suma total de entre cuatro millones y seis millones de dólares en el curso de los próximos tres años, con un máximo de 200.000 dólares por cada propuesta.

Energía marina para Chile

Además de esta iniciativa, el BID concluía un estudio donde se evaluaba el potencial de la energía marina en Chile, mercado con una importante necesidad para diversificar su matriz de generación eléctrica. Este estudio comentado por el Ministro de Energía del país, Marcelo Tokman, fue elaborado por el BID a petición de CORFO, organismo que se encarga de fomentar el desarrollo de energías renovables en Chile.

Según el estudio del BID, ese mercado contaría con un potencial de 164 GW de capacidad mediante el uso de las fuerzas marinas del océano. Las zonas con mayor potencial para su desarrollo estarían ubicadas en la zona centro y sur del país. No hay que olvidar que Chile cuenta con más de 4.000 kilómetros de costa y que la actividad del país se concentra en la mitad sur.

Aunque estas tecnologías y su desarrollo se encuentran todavía en fase experimental debido a su poco desarrollo internacional, Tokman argumenta que el estudio muestra las pautas que debe seguir Chile para aprovechar sus corrientes marinas una vez el desarrollo de este tipo de proyectos sea viable.

A favor de Chile juega el hecho de que países como el Reino Unido, España, Estados Unidos y Francia están también evaluando la fuerza de las corrientes marinas para la generación de energía eléctrica. Los estudios realizados por estos países parecen confirmar que este tipo de generación sería incluso más confiable que la energía eólica.